PF desmonta golpe no Imposto de Renda

 

FRAUDE PODERIA CAUSAR ROMBO DE R$ 15 MILHÕES.CASAL INDUZIA CLIENTES A CRER QUE RECEBERIAM RESTITUIÇÕES MAIORES

A técnica contábil Isabel Cristina Alves da Silva, dona de um escritório de contabilidade em Itaquera, Zona Leste, em sociedade com o marido , José Patrício de Moura, conseguiu montar uma fraude que poderia dar R$ 15 milhões de prejuízo à Receita Federal. O casal é acusado de induzir 10 Mil pessoas a crer que poderiam receber restituições de imposto de renda muito maiores do que aquelas a que tinham direito.Em média, elas chegavam a R$1.500.Entre os clientes do escritório havia cerca de mil policiais militares. "Achamos que os contribuintes foram induzidos a erro,mas todos devem fazer declaração retificadora, até para mostrarem boa-fé",disse o delegado Hugo Brazioli Slivinski, da policia Federal. Se nenhum contribuinte foi acusado de crime, o casal do escritório não escapou do indiciamento por estelionato.

A fraude estava sendo investigada havia dois meses por auditores da Receita Federal, agentes da Polícia Federal e da Procuradoria da república. "Estamos sempre cruzando informações e aprimorando nossos controles", disse Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, superintendente-adjunto da Receita em São Paulo.Uma força tarefa montada por eles revirou o escritório da Organização Contábil das Nações. "Eu só fazia o que a moça da Receita me havia orientado a fazer", disse Isabel Cristina da Silva.O marido, José Patrício de Moura, também alega inocência e contou como conseguia os clientes:"Deus os trazia para a gente."

Moura contou como o casal começou a convencer os policiais a entregar-lhes as declarações do IR: um dia ele entrou no quartel ao lado do 32 Distrito Policial.Um tenente desconfiou da história das "restituições". "Ele disse que era golpe e me levou para a delegacia.Lá eu expliquei para o delegado que tudo era legal e, então, as pessoas começaram a nos procurar."

No escritório do casal, a força-tarefa apreendeu computadores, impressoras e cópias de declarações de IR.A Receita não sabe ainda quanto dinheiro de fato foi recebido.Pelo trabalho os donos do escritório cobravam de 10% a 15% do valor que cada um receberia da Receita.Faziam este trabalho desde o ano passado.

Em 2004, o contribuinte devia pagá-los depois de receber a restituição.Como o escritório sofreu muitos calotes, estava exigindo pagamento adiantado este ano.